Parte 4

No dia seguinte, após o enterro e ao longo da semana, todos os jornais de maior circulação do Rio de Janeiro traziam em forma de manchete a fatídica notícia do assalto que o Xande sofreu, com todos os detalhes e maiores desdobramentos sobre sua morte. Meus familiares, em vão, fizeram o possível para omitir de mim tais informações  na intenção de me poupar e me proteger:

Os dias que se seguiram foram movimentados. A campainha, o interfone e o telefone não paravam. Eram amigos, parentes, vizinhos, jornalistas, amigo de amigo e desconhecidos em busca de detalhes ou porque se importavam ou apenas para saciar a sua curiosidade.
Por um lado foi bom, porque me mantinha em movimento. Era uma forma de fugir da realidade e de me afastar da sensação de estar sozinha.
O complicado era a hora de dormir. Meu obstetra receitou na ocasião um calmante natural que ajudava a me desligar de tudo por horas e, na medida do possível, ter uma noite completa de sono.
O tempo foi passando, a vida de todos foi voltando a normalidade e foi aí que o meu autocontrole foi ficando de mal a pior. Ao ponto de e

u imaginar que a dor de um membro arrancado de corpo seja mais fácil de lidar do que a da perda do grande amor da nossa vida. Quando percebemos que todo aquele pesadelo não era um mero ônus de um sonho estragado, aí o nosso mundo começa a ruir.

 

(CONTINUA…)